Inflação em alta e previsibilidade em queda: uma combinação perigosa

A previsibilidade é um dos pilares mais importantes para o bom funcionamento de qualquer economia. Quando os agentes econômicos — sejam empresas, investidores ou consumidores — conseguem antecipar com alguma segurança o que pode acontecer no futuro, o planejamento se torna mais eficaz, os riscos diminuem e as decisões são tomadas com mais confiança. Em ambientes previsíveis, o investimento tende a crescer, o emprego se fortalece e a economia como um todo se beneficia.

No Brasil, porém, a previsibilidade tem sido um desafio constante. Um dos principais termômetros dessa dificuldade é a inflação, que tem ultrapassado com frequência os limites estabelecidos pelo regime de metas. Nos anos de 2021, 2022 e 2024, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) — que mede a inflação oficial do país — ficou acima do teto da meta, obrigando o presidente do Banco Central a publicar Cartas Abertas ao Ministério da Fazenda, explicando os motivos do descumprimento do objetivo.

Para 2025, a meta de inflação definida pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central é de 3%, podendo variar entre 1,5% e 4,5% ao ano. Mas os dados mais recentes divulgados pelo IBGE preocupam: a inflação acumulada nos últimos 12 meses chegou a 5,48%, acima do limite máximo tolerado. Só no mês de março, a inflação foi de 0,56%, levando o acumulado no ano a 2,04%.

Diante desse cenário, o Banco Central tende a manter uma postura mais rígida no controle da inflação, o que, na prática, significa manter ou até elevar a taxa básica de juros, a Selic. Embora essa seja uma ferramenta legítima e muitas vezes eficaz para frear a alta dos preços, seus efeitos colaterais são conhecidos: juros mais altos desestimulam o consumo e, sobretudo, os investimentos produtivos, já que o custo de financiamento aumenta. Isso compromete a geração de empregos, o crescimento econômico e a confiança no futuro.

O maior problema da inflação acima da meta, no entanto, não é apenas o impacto direto sobre o bolso dos consumidores. É a incerteza que ela gera. Quando os preços sobem mais do que o esperado, fica difícil para empresas planejarem investimentos de longo prazo, avaliarem com clareza seus custos e lucros ou mesmo decidirem se vale a pena abrir uma nova unidade, contratar mais funcionários ou lançar um novo produto.

A instabilidade dos preços também assusta investidores externos, que preferem colocar seu dinheiro em países onde as regras são claras, os objetivos são cumpridos e os riscos são mais calculáveis. Ou seja, sem previsibilidade, perde-se um dos principais ativos para atrair capital e gerar desenvolvimento.

Por isso, é urgente que o Brasil recupere a capacidade de manter a inflação dentro da meta e transmita confiança aos agentes econômicos. Estabilidade não significa ausência de problemas, mas sim a existência de um ambiente no qual os desafios podem ser enfrentados com clareza, transparência e consistência nas ações. Uma economia estável é uma economia com mais oportunidades, mais emprego e mais desenvolvimento para todos.

Por Wesley Oliveira – Economista, com mestrado em Economia pela UFPA. Consultor em planejamento governamental, tendo prestado serviços para prefeituras, Câmara dos Deputados e em alguns ministérios – Justiça, Cultura, Desenvolvimento Social, além da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República. Também prestou consultoria para a SUDAM e atuou como Assistente de Pesquisa da Assessoria Técnica da Presidência do IPEA. Professor substituto na UNIFESSPA por dois anos e em faculdades particulares. CEO da ECONPLAN Consultoria Econômica e Planejamento.

Imagem: reprodução 

Henrique Branco

Formado em Geografia, professor das redes de ensino particular e pública de Parauapebas, pós-graduado em Geografia da Amazônia e Assessoria de Comunicação. Autor de artigos e colunas em diversos jornais e sites.

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