#TBTdoBlog: Jader Barbalho derrota Oziel Carneiro e se elege governador do Pará

O ano era o longínquo 1982. O Ditadura Militar caminhava para o seu fim no governo de João Figueiredo, o último militar do regime na Presidência da República. Era o primeiro pleito de disputa ao Governo do Pará desde 1965. Não havia coligação partidária, e apenas quatro legendas participaram: o então PMDB (hoje MDB), O PSD (extinto em 1993, após seus integrantes aprovarem sua fusão com o PDC para criar o PPR); O recém criado Partido dos Trabalhadores (PT), e o PTB . Jader venceu por pouco mais de 40 mil votos, obtendo 51,09% dos votos válidos. 

Vamos reviver mais um capítulo de nossa história política…

As eleições estaduais no Pará em 1982 ocorreram em 15 de novembro conforme o calendário previsto às eleições gerais em 23 estados brasileiros e nos territórios federais do Amapá e Roraima. Realizado sob regras que proibiam as coligações partidárias e instituíram o voto vinculado e a sublegenda, o pleito foi o último onde eleitores residentes no Distrito Federal tiveram os votos remetidos ao Pará através de urnas especiais. Na primeira disputa por voto popular ao governo do estado desde a vitória de Alacid Nunes em 1965, o PMDB elegeu o governador Jader Barbalho, o vice-governador Laércio Franco, o senador Hélio Gueiros e conseguiu por estreita margem as maiores bancadas entre os 15 deputados federais e 39 deputados estaduais eleitos.

Jader integrava a ala dos “autênticos” do MDB, na qual se congregavam os parlamentares de mais incisiva atuação oposicionista. Havia a esperança de que ele mantivesse essa postura no comando da administração pública. Já na eleição, porém, se evidenciou um elemento de dúvida: Jader só se elegeu por contar com o apoio da máquina estadual manobrada pelo governador Alacid Nunes.

Jader, no entanto, tratou de se livrar da companhia incômoda ao primeiro pretexto. Foi a adesão à candidatura de Tancredo Neves à presidência da república, em 1984. Os alacidistas apoiavam Paulo Maluf. A partir daí, Jader se viu livre para impor a sua liderança na política paraense. Foi uma grande oportunidade de traçar um novo rumo ao Pará.

Durante o primeiro ano de governo, dedicou-se à desapropriação de terras para o assentamento de famílias, inaugurando diversos bairros na periferia da capital, inclusive deixando seu nome em um deles: Jaderlândia, localizado em Ananindeua. Encerrou o mandato em março de 1987.

Hoje é considerado por muitos o maior líder político da história republicana paraense, à frente de uma dinastia que aos poucos vai ocupando mais posições na estrutura de poder do Estado como nunca antes uma família ou qualquer outra forma de associação conseguiu.

Imagem: reprodução

Henrique Branco

Formado em Geografia, professor das redes de ensino particular e pública de Parauapebas, pós-graduado em Geografia da Amazônia e Assessoria de Comunicação. Autor de artigos e colunas em diversos jornais e sites.

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