Despersonificação interna. O dilema de Helder

Uma das características principais de Helder Barbalho enquanto político é ser personalista, a exemplo de seu pai Jáder, que governou o Pará e hoje é senador da República. Sua atuação enquanto mandatário estadual é um exemplo irrefutável disso. Ter esse perfil não chega a ser necessariamente um problema. Todavia, precisa ser administrado e na hora certa precisará (para alguns esse processo já deveria ter começado) ser desprendido do perfil, em especial quando chegar a hora de preparar a própria sucessão.

E ela está chegando. Em dois anos e meio, Helder terá que ter eleito a sua indicada, neste caso, sua vice Hana Ghassan. Para isso, e como adiantado pelo Blog do Branco há meses, o governador precisa ser menos personalista internamente, ou seja, deixar de ser o centro das atenções em solo paraense, para transferir os holofotes à sua sucessora. Apesar de ter adiantado bem antecipadamente sua decisão de escolha, além do anúncio ter sido em um evento realizado em Ananindeua, município governado por Daniel Santos, que não esconde sua pretensão de ser o próximo mandatário estadual, alguns sinais podem indicar que a escolha poderá ser modificada, passando Hana a ter outra “missão” imposta por Helder, neste caso, quem sabe, concorrer à Prefeitura de Belém, tendo Igor Normando como vice-prefeito. Como dito, tudo ainda é muito turvo em relação ao futuro.

Como dito em outros artigos, Hana precisa ser preparada politicamente, ter um perfil político reconhecido tão quanto o seu de uma competente técnica. Helder tem totais condições para transferir à sua sucessora essa forma de atuação. Mas, para isso, precisará se desprender de sua forte atuação personalista, deixando Ghassan à frente das realizações e ações, buscando acumular capital político. De “gerente”, conforme analisado por este veículo no início, em que sua função era “tocar” a máquina estadual de forma mais interna, de pouco exposição, para uma estratégia de percorrer os quatro cantos do Pará, com forte presença na periferia de Belém.

A questão é que esse desprendimento não é fácil. Mas terá que ser feito em nome da própria estratégia barbalhista.

Imagem: reprodução Internet. 

Henrique Branco

Formado em Geografia, professor das redes de ensino particular e pública de Parauapebas, pós-graduado em Geografia da Amazônia e Assessoria de Comunicação. Autor de artigos e colunas em diversos jornais e sites.

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